Estranhei Isadora. Levantou-se cedo, não arrumou o cabelo e nem se maquiou. Sem jeito me jogou um beijo e saiu pela porta para deitar-se fundo em mim. Pobre Isadora!, não sabe que agora os crocodilos não me escamam mais, não sabe que deitou tão fundo no meu peito que varou pelas costas...
Coisa estranha (me é comum), só porque agora Isadora saiu do meu peito, eis que ela abre a porta e volta para dentro do quarto a passos lentos enquanto exige beijos e afagos."Isadora, agora eu saio!" e ela me estranhou.
Saí querendo mais do que podia suportar. Queria estar em lugares onde a primavera sopra gelado, onde se bebe metal derretido para aquecer o espírito, onde o sereno concede ferrugem às facas afiadas, queria o labirinto em constante sismo, queria me transbordar e em mim mesmo afogar não sei o que coxo e fraco.Evoé desejo novo! Evoé de aço!
Entrei no bar mais sujo e sentei na cadeira mais incômoda. Pedi absinto e um lanche verde-musgo-acizentado que parecia ter me esperado a semana toda. Tudo com esperança de embruetcer as entranhas num vômito rápido, num auto-flagelo ácido que (maldição!) não veio.
Quem veio foi um gordo de cabelos brancos, óculos finos e redondos, cara de sapo-boi, espírito de porco. Falava alto enquanto se sentava ao lado da minha cadeira. Eu não podia deixar de ver suas unhas cheias de sujeira, seus lábios rachados e mais gordurosos que sua pele sebenta, os gestos largos e abusivos, o histérico sorriso amarelo e sem vontade, e para meu assombro, volta e meia, ele cutucava meu dêmonio me olhando com o canto do olho, de esguelha
Arranquei dele a artéria aorta com meus dentes ,e antes de preso, Isadora me abandona com o sangue viscoso ainda quente na boca.
Dela ele sabe que ela gosta. Bosta por ela ele promete que come. Um coxeiro jovem e uma merendeira quase velha. Quando se engalfinham liberam um cheiro duvidoso. Isso para os outros, para eles é o jejum da fome, é o que faz da quase velha uma menina e do menino mais homem.
Mais uma vez ela quer e nega com uma provocação doce. Ele fica com a boca cheia de saliva e mostra que não foi só nos olhos que seu sangue acumulou-se. A excitação aparentemente infinita se sacia alargando o mundo da menina, enrijecendo o espírito do quase homem.
II-Rompimento
Só na base do gesto, do insunuante olhar seco, do suspiro cheio de lamento e elogios à lama o vazio fala sempre almejando a tempestade e enaltecendo a chaga da desesperança. Não chora nem sorri de coração. A afetação predomina onde a comunicação se esvai. O vazio não pára porque tem insegurança de pedir "PARE!". Não vai em frente por não saber pedir passagem.É sozinho num movimento retido.
Então aquele que almeja coisa absurda arranca da vivência muda o sol de florescência calada e fala, feliz.
ROGO
Corte-me e abra-se.Tudo que for forte pode. Abrace
Te desejo azul em silêncio bege. Vermelho: beijo-te
De frente com afronta caço. Me acalmo quando seu esplendor vejo.
O céu para teu canto secreto e sagrado. Para teu grito e atrito o mel.
Que nossa luta seja um riso e sempre acima o paraíso. Além.